segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um dia a chuva parou

Um dia a chuva parou
e pus-me a pensar em ti.
Senti que nada mudou
desde o momento em que te vi.

Foi contigo que senti
o amor a enlouquecer.
Estarei - sempre - aqui
e contigo adormecer.

Sofia Vieira

O dia em que te compreendi

O dia em que te compreendi
foi o dia que deixei de te ver,
já não sabia nada de ti
nem sabia mais o que escrever.

Alteraste o meu sossego
sem pena e sem amor,
agora tento e não consigo
acreditar mais nesta dor.

Para ti criei tudo
desde uma palavra a um segundo,
deambulei e observei
o local por onde passei.

Abro as asas
e sigo a nobre poesia,
evocando as mais lindas palavras
neste momento de melancolia.

Desço do sotão até à cidade
procurando um rasto teu
na brevidade da cumplicidade,
que percebi num gesto seu.

Desenho um novo rosto
daquela nova personagem,
a personagem de um livro
que foi por mim composto
para transmitir uma mensagem.

O papel já rasgado
foi por mim recordado,
relatado por opiniões
e inerente de justificações.

Sofia Vieira

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Estou de novo aqui

 
Estou de novo aqui
pensando em ti
a ver se te vejo
para então pedir um desejo.

Não te perdoo
pelas palavras que me disseste
foi através do abandono
que tu me perdeste.

Juro-te que sou capaz
de enfrentar a tua frieza,
guio-me pela paz
e tento superar a tristeza.

Os teus olhos, o teu olhar
foi aí que encontrei
um lugar para ficar
longe de tudo o que odiei.

Todos os dias
afirmo a tua inexistência
eras tu que dizias
para eu ter paciência.

Era ele, eras tu
um segredo amoroso
só não foste tu
um rapaz carinhoso.

Eu falhei e tu falhaste
aonde? Eu não sei.
Senti que superaste
tudo o que eu passei.


Sofia Vieira

Verás que vou manifestar o choro



Verás que vou manifestar o choro,
alterar o olhar,
libertar a dor,
continuar a sentir e
continuar a amar
tudo aquilo que deixei.

Por momentos senti
a ternura de um adeus,
o beijo de despedida,
mas sabem bem os meus
como sou e como sempre fui.

O caderno estava preenchido
e as palavras organizadas,
foi através do pensamento
que surgiram as lembranças,
as nossas, as de todos.

Foi com o passar da vida
que descobri a tenra memória escrita no meu livro de cabeceira.

Sofia Vieira

Feliz nesta vida


Sou feliz nesta vida,
mas surge a dúvida:
serei feliz na outra?
Não, não há resposta.

Determinarei o teu toque suave,
o contraste dos teus olhos,
o contorno da tua boca,
a temperatura do teu corpo
e a espessura dos teus fios de cabelo.

Canto em teu nome
e chamo-te aqui.

Mais vale ver-te através do pensamento
do que estar frente-a-frente
e não te poder tocar mais uma vez.

Grito de alegria e proclamo este poema!

A infância que já passou
foi uma e não volta não,
embora desejasse
tudo e todos à minha volta,
de tenra idade e de pequeno coração.

Mas não sou mais criança,
essa fase já passou e
a revolta lá ficou.

Pensamentos paralelos,
não adianta uni-los.
Basta um e só um.

Sofia Vieira

Vontade de respirar poesia!

É nesta noite fria
que agora sinto
uma vontade de deitar cá para fora
as mais belas palavras,
capazes de fazer crescer
as mais bonitas folhas
deste caderno meu.

Quero explodir poesia!
A adrenalina percorre-me o corpo,
aumenta a minha pressão arterial
e o meu ritmo cardíaco
desta vontade enorme que sinto agora!

Tenho de continuar, de continuar e continuar!
O universo da poesia
é um ser único que admite
as mais complexas e simples palavras
que constróiem os mais bonitos campos de poemas
recheados de nomes desconhecidos
que merecem chegar ao topo!

Mas... Ninguém os vê,
poderão até ver,
porém só se consegue ver
aqueles que têm força nas palavras
e têm vontade de vencer.

Por hoje terminei.

Agora vou descansar e adormecer,
mas ainda não acabei,
porque um dia voltarei.

Sofia Vieira

Proclamo felicidade

Não sinto ira,
sinto felicidade!
Não sinto dor,
sinto amor!


Querias tu ter o privilégio
de ter aquela felicidade,
oh sim, claro, a única e a verdadeira,
aquela que nos encanta,
que nos embala,
que nos conta uma história de adormecer.

Contei pelos dedos
as idéias que surgem,
os momentos que passaram,
as pessoas que já esqueci e,
também aquelas que nunca esqueci.

Amizades improváveis
são aquelas que
na sua composição química,
não contêm nenhum ingrediente especifíco,
até porque é através de um olhar
que baseio o teu reflexo
no meu pensamento.

São meras emoções que ficam,
essencialmente aquelas
que nos fazem tremer
perante dois, três ou até mil!

Troco letras por poesia
troco saudade por felicidade,
pois a felicidade é uma só
aquela que te define
simplesmente, aquela que nos define.


Oh povo! Oh rios de gente! Oh felicidade!
Caminha perante nós! Que percorre no meu sangue!
Tu reinas a minha vida e por isso sou feliz!

Sofia Vieira

À espera

Estou à espera, sim
à espera de entender
este sentimento que dentro de mim
magoa e vive
questionando o pouco e o todo
até a razão de viver.

Compreenderás que não és só tu
que chora, que sente paixão,
saberás, talvez, um dia
perdoar-te e amar-te
tu que tens fome de viver!
Tu que tens magoa!
Tu que não tens nada!

O fogo que percorre minh' alma
provoca em ti arrependimento
puro e sólido arrependimento.

Eu construi o sentimento
sim, aquele que rejeitaste,
mas podes ter a certeza
que quando te olhar nos olhos
irás questionar-te: porque me sinto assim?
E aí surgirá a resposta... Eu errei.
(O choro incuravél permanecia e a dor refugiava-se)


O sangue derramado no chão
metia dó a quem passava,
desconhecidos, intrusos, todos ou ninguém,
sentiam que nada havia a fazer.

A fuga é a mãe que nos protege
daquilo que não queremos ver!

Sofia Vieira
Permanece no meu Universo. Evita os Buracos Negros. Flutua sob o meu Sistema Solar. Orbita em torno do meu Planeta. Caminha sobre o chão que eu piso e estende-me a mão.

Sofia Vieira

É no silêncio da noite


É no silêncio da noite
Qu eu respiro a tua presença,
Apesar da distância
Eu sigo-te, sozinho
Observando-te, desejando-te,
Amando-te como um louco apaixonado,
Com a mente vazia e com o coração destruído.

Quem ama, também sofre!
Sou amado e dou amor, a ti Lua,
Porque mereces (e aos outros?),
Não lhes dou nada.


Sofia Vieira

Guardei a tua rosa no meu peito

 
Guardei a tua rosa no meu peito
e recordei as sentidas palavras,
vesti teu corpo nu com beijos incontroláveis
parecia até uma visão
ver-te naquele estado.

Metias dó
tive pena,
mas foste tu
quem me deixou só
naquela noite tão serena.

Volta coração! Volta emoção!
Desaparece paixão!

Os objetos inanimados
presentes na minha casa
deram p' la minha chegada,
embora fosse a última entrada,
naquela casa...

A respiração ofegante,
o suor do cansaço, 
a cor do céu azul,
a praia que construímos, tudo!
Tudo inalterado
tudo guardado.

Sofia Vieira