O que é o amor?
O amor é um sentimento intenso,
Profundo, comprometedor
Que nos faz acreditar imenso
No que não devemos,
Porque só nos trás uma imensa dor.
É também um despertar e
Sentir de um desejo
Relativamente a outra pessoa,
Sim, aquela pessoa
Por quem tanto anseias o chegar de um beijo.
Está ligado a mim, a Ti, a Nós,
Aos outros e àqueles que o desconhecem,
Mas que mesmo assim sentem
O rio a desabar na foz,
O rio de sangue
Que faz bater o coração
Numa infinita imensidão
Que eu, mulher, carrego dentro de mim.
Rasgo o ódio e a emoção avista-se,
Embora te pareça indiferente,
Sabes bem que não estou contente,
Por reconhecer a tua indiferença.
Eu penso, eu sei,
Eu julgo, eu prefiro,
Eu gosto de ti.
Sofia Vieira
Sinto um arrepio a partir do momento
que aquela música atravessa-me a mente,
percorre-me o corpo,
sobrevoa no meu pensamento
e no final dela, dou por mim a corar
ao ver-te ao meu lado, bem distante,
mas mesmo assim presente.
Sempre te disse, nunca te menti.
A partir do momento que partiste,
o teu lugar continuou vazio
e eu fui incapaz de deixar seja lá quem for ocupá-lo.
O ar começou a ficar poluído
devido às saudades que trouxeste
e que te esqueceste de levar contigo.
Tu foste simples, maduro e claro,
de modo que eu já nem queria saber
se o teu suposto lugar
estava ou não preenchido.
Libertei a lágrima
e pedi ajuda ao Tempo,
o meu melhor amigo e companheiro
de longa data que sempre me socorreu.
Não há perdão que justifique
a inglória de uma paixão
jamais saboreada ao teu lado.
Não fazes ideia
do que é sentir uma tensão obscura no peito
de tanto amar alguém como tu
que nem uma palavra nos dirige,
que nem um piscar de olhos nos proporciona,
que nem um beijo nos dá...
Apenas sentes o longínquo calor
daquela pessoa que tanto anseias tocar!
Descrevo-te em forma de palavras
que fazem de ti uma pessoa extraordinária,
mas que lá lá no mais profundo do teu Ser,
Tu não vales nada.

Dispo-te através da poesia... Oh sim!
Podes até rir-te, mas nunca irás sentir
este sabor que até hoje sinto aqui.
Já me fartei de te ver,
de ainda pensar em ti!
Querido, eu não posso fazer nada para te ajudar,
porque tu nunca o permitiste.
Prometeste e falsificaste a tua promessa.
Obrigada! Obrigada, meu amado!
Sofia Vieira
Julgo o teu jogo de sedução,
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| Foto: Sofia Vieira |
julgo as tuas sentidas palavras
que me provocam o tal arrepio,
palavras que me fazem lembrar
daquela terra por onde em tempos distantes habitámos.
Uma terra de sonhos e desejos
com um forte segredo de dois mundos paralelos
que nunca foram descobertos.
Mundos de uma vida,
mundos de pessoas horríveis, indesejáveis,
absurdas, incompetentes, loucas,
apaixonadas, extravagantes,
exuberantes, insensíveis, ocultas...
Mundos de um ser só e abandonado: Tu. Nós.
Não me conheces
nem nunca me reconhecerás,
mesmo que tentes
através do toque nos meus lábios corretos
destas banais e sensatas palavras,
que em tempos distantes
nomearam-te para seres o meu Príncipe,
um ser loucamente imaginado
e constantemente sonhado.
As palavras sentem!
Elas remetem para uma desesperada longuíssima espera por Ti.
És...
Ele é inútil e ao mesmo tempo insubstituível.
Olho em meu redor
e reencontro a paz que caminha
debaixo dos meus pés,
porém chegas Tu
e desassossegas esta calma e serena paz!
És tu a tal perturbação? A causa?
Só agora é que percebeste?!?!

Viraste as costas
e jurei que nunca mais te tocaria no ombro,
mesmo que fosse unicamente
para ver um sorriso rasgado no teu tão belo rosto.
Jogo terminado.
Dedos cruzados.
Amor indeterminado.
Um chão vago,
surpreendentemente tremido
de uma dor incansável
e angustiáveis medos
que Tu provocaste.
Tudo por tua causa!
Sofia Vieira